A Legítima Postura de Um Guerreiro

“Depois de uma inspeção, eu disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: Não os temais! Lembrai-vos do Senhor, grande e temível, e lutai por vossos irmãos, vossos filhos e filhas, vossas mulheres e vossas casas” (Neemias 4:14).

Introdução:

O mundo é um campo de batalhas. Assim, convém que nos preparemos para as batalhas que tenhamos que enfrentar. Somos desafiados todos os dias. O apóstolo Paulo declarou que “somos entregues à morte todo dia”, isto é, estamos sempre pisando em campo minado. Não podemos descuidar nem um instante sequer. Já dizia uma canção infantil “cuidado pezinho onde pisa”.

Jesus falou sobre aflições, João 16:33;

Paulo sobre tribulações,

Pedro sobre dias difíceis.

Judas advertiu a igreja a “batalhar pela fé dada aos santos”.

Não é possível que um cristão fique se fazendo de vítima, demonstrando fraqueza, esperando mimos de seus irmãos, quando há muito que precisa ser feito e conquistado. Muitos vivem distraídos com os cuidados do mundo e se omitem de guerrear com determinação. Se te mostrares um cristão frouxo, no dia da adversidade procurarás e não acharás força para se manter em pé.

O diabo, terrível adversário, anda de olho nos cristãos, para encontrar um meio de derrotá-los. Nossa firme decisão ao lado de Deus e zelo pelos seus princípios revelados nas sagradas Escrituras vão tornar-nos fortes diante dos adversários e das ameaças ou desafios. Nossa consagração torna o inimigo inoperante, mas nossa falta de zelo e de santidade torna o diabo forte e livre para agir em nós. “Não deis lugar ao diabo”( ).“Diga o fraco: eu sou forte” ().

Para poder triunfar é preciso seguir os passos bíblicos daqueles que já deram mostras de superação. Na Bíblia, tudo quanto foi escrito é  para o nosso ensino. Neemias foi um grande líder que soube conduzir o povo à uma obra bem sucedida. Não escapava ninguém – nobres, oficiais e todo o povo – todos deveriam pegar as armas e trabalharem na reconstrução, mas com a consciência de que estavam numa batalha. Na reconstrução de Jerusalém, empenhou forças e conscientizou o seu povo sobre a realidade enfrentada naqueles dias, um tanto quanto intimidadora, perseguidora, com forte tentativa de que houvesse abandono. No entanto, ele foi firme e orientou o povo a batalhar com a postura de um legítimo guerreiro. Eis o que pediu ao povo:

1) Não se intimidar diante dos inimigos e suas ameaças

“… não os temais”

O medo é um bloqueador, um paralisador, um limitador de potenciais. O maior responsável pelas derrotas e fracassos do ser  humano. “Nenhuma batalha jamais foi ganha sem o poder do entusiasmo” (John Lord O Brian). Entusiasmo é “Deus em si”. A falta de entusiasmo é como rugas na alma.

Uma das estratégias do inimigo é gritar mais alto, falar em tom mais austero, com o fim de intimidar. Não olhe para suas ameaças… nem para sua cara feia… seja firme diante de qualquer inimigo, resista com firmeza e ele vai começar a recuar. Siga a orientação de Tiago: “Sujeitai-vos, pois a Deus, resisti ao diabo e ele fugirá de vós” (Tg 4.7), bem como, de Pedro: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando alguém para devorar; resisti-lhe firmes na fé” (1Pe 5.8-9).

Não podemos ignorar o fato de Satanás, quando vê que a intimidação, a força ou a ameaça não resolve, procura se transfigurar em “anjo de luz” para poder seduzir um cristão, 1Co 11.14.

Normalmente, Satanás começa a derrotar um cristão pelo seu pensamento, que sendo alimentado gerará uma atitude, onde esta pessoa acaba caindo no colo dele. A partir daí, o poço passa a ser de uma profundidade inimaginável.

Paulo falou para o cristão se apossar de toda a armadura de Deus, para ficar firme contra as astutas ciladas (trapaça, engano, isca) do diabo, Ef 6.11. Vemos que o casal Ananias e Safira foi vítima da astúcia de Satanás. Estavam fazendo algo bom – ofertar – mas, interiormente, estavam dominados pelo engano e o resultado foi a morte, At 5.1-11.

Não subestime o inimigo, mas também não supervalorize. Longe de nós cometer um desses erros: achar que tudo é o diabo (tirando do homem a responsabilidade), ou achar que nada é ele (atribuir tudo ao humanismo).

Jesus falou enfaticamente “vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26.41). Vigiar vem antes de orar. De nada adianta orar muito e esquecer de vigiar.

2) Considerar e confiar no Poderoso Deus

“… lembrai-vos do Senhor, grande e temível”

Para que se tenha vitória em meio a uma batalha, é preciso manter uma boa relação com Deus. Busque-o em oração e se empenhe para estar sendo por Ele fortalecido. Alguém afirmou que “Quanto mais suor exalar no treinamento, menos sangue será derramado no campo de batalha”. Com isso, quero dizer que as batalhas serão superadas, conforme a força que receberes através da oração. Quanto mais lágrimas derramares no altar, maior serão as manifestações de seu poder na batalha.

Quando o apóstolo Paulo falou sobre a batalha espiritual, sua palavra inicial foi “fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder, revesti-vos de toda a armadura de Deus…” (Ef 6.10). Uma expressão evidente no Antigo Testamento é “Senhor dos exércitos”, um dos nomes pelo qual Deus é revelado ao seu povo. Isso mostra sua soberania e seu total poder sobre seus inimigos. Diante disso, Ele afirmou: “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres porque eu sou teu Deus; eu te esforço e te ajudo e te sustento com a minha destra fiel” (Is 41.10).

O apóstolo João nos assegura uma vida vitoriosa: “Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não está no pecado; aquele que nasceu de Deus o protege, e o Maligno não o atinge” (1 João 5:18). Seja fiel a Deus, Ele é Poderoso para guardar seus filhos.

3) Não ser egoísta na peleja ignorando seus companheiros

“… lutai por vossos irmãos, vossos filhos e filhas, vossas mulheres e vossas casas

Na batalha espiritual não vale o dito popular: “cada um pra si, Deus por todos”. Se é bom e suave que os irmãos vivam em união, Sl 133.1, o mesmo deve ser aplicado quando se trata de momentos de provações, tribulações e guerra espiritual. A Palavra diz que “na angústia é que nasce o irmão”.

Longe de nós sermos contagiados pela “síndrome de Caim”, ficar revoltado com o irmão a ponto de eliminá-lo de sua convivência. Pode-se eliminar alguém da sua lista, mas nunca da sua consciência. Quando Deus perguntou a Caim sobre seu irmão, ele respondeu grosseiramente: “sou eu guardador de meu irmão?”

A vida de comunhão pode ser benéfica, pois “melhor e serem dois do que um”. Um pode perseguir mil, dois perseguirão dez mil. Necessitamos batalhar de forma a pensar em nossos irmãos, irmãs, família, casa, etc

Conclusão:

Vamos engajar nesse exército com a certeza de que nossa força vem de Deus. Não podemos viver acuados com medo do inimigo, mas mostrar-nos forte, por que em Deus faremos proezas, Ele calcará aos nossos pés os nossos inimigos. “Pelejarão contra ti, mas não prevalecerão contra ti” é o que nos garante o Senhor.

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