O deserto não é tão mal como pensam

A Importância do Deserto
Mc 1:3
Introdução: O maior de todos os
profetas, João Batista, escolheu desenvolver o seu ministério no deserto. Creio
que a escolha foi baseada numa direção divina, que tinha como objetivo fazer
com que, tanto João, quanto o próprio povo, tivessem experiências
significativas com Deus. Sobre as bênçãos decorrentes do deserto, é que
queremos falar nesta ocasião.

1. Um Lugar Para
Ouvir a Deus – Hb 3:15
O
deserto, para João Batista, representava um lugar especial onde teria condições
de se afastar das distrações desta vida, a fim de poder ouvir as ordens de
Deus.Todos nós vivemos num mundo agitado, onde nos vemos, muitas vezes,
obrigados a correr para cima e para baixo tentando cumprir nossas agendas
diárias; mas nem sempre nos damos conta de que tal agitação pode nos distanciar
daquele lugar de comunhão, no qual podemos ouvir a suave voz de Deus. Nestas
horas é que percebemos o quanto necessitamos tomar a decisão de procurar o
“deserto nosso de cada dia”, para que ali Ele fale de maneira que
possamos ouví-Lo, sem as interferências que, naturalmente, nos rodeiam todos os
dias. 
O
nosso deserto pode significar um quarto fechado para oração, um tempo recolhido
à sós com Deus, ou apenas um lugar e um tempo, quando estar em Sua presença é a
coisa mais importante para nós. Se deixarmos de ouvir a Deus em nosso caminhar
diário, correremos o risco de perder a direção, a visão e o propósito maior
para nossa existência. Por isso, precisamos ouví-Lo.

2. Um Lugar de
Renúncia – Mt 16:24
As
multidões partiam para o deserto a fim de se encontrar com João e ouvir sua
mensagem. Com isso, cada um estava deixando de lado sua casa, seu compromisso,
seu conforto, seu trabalho. Tal atitude representava renúncia e despojamento da
velha estrutura de vida rotineira, em busca de algo que eles consideravam ser
importantes para suas vidas. Cada um estava demonstrando com esse
comportamento, a disposição de renunciar algo de valor para obter o que era
ainda mais precioso.
Essa
experiência nos ensina a não esperar a bênção “em domicílio”, mas a
valorizá-la a ponto de seguir em sua busca. Os que não estavam dispostos a
deixar tudo e partir para o deserto, também não estariam dispostos a deixar
posturas erradas para assumir um compromisso com Deus.
Não
queremos, com isso, dizer que precisamos “comprar” a bênção de Deus,
anulando, assim, a graça que há em Cristo Jesus. É claro que todas as bênçãos
nos são concedidas pela graça, e não pelo esforço humano. No entanto, nossas
atitudes externas demonstram a intensidade do desejo do nosso coração.

3. Um Lugar
Desprovido De Religiosidade – Lc 6:46
Cremos
que ao pregar o Evangelho de Deus no deserto, João Batista estava promovendo a
ruptura com a hipocrisia dos líderes religiosos de sua época, que dava mais
valor às suas vestimentas sacerdotais e objetos sagrados, do que fazer
verdadeiramente à vontade de Deus. Muitos queriam impressionar o povo com uma
aparência de piedade, mas seus corações estavam vazios de Deus e da sua unção.
João Batista chocava a multidão, por que suas vestes não eram semelhantes às de
um religioso. Sua comida e sua habitação eram totalmente diferentes do
convencional. Mas a sua vida expressava tremendo poder e unção do Alto. 
Com
tudo, isso cremos que Deus estava querendo incutir na mente das pessoas, que
elas deveriam estar preparadas para receber algo diferente do habitual. O
objetivo era o de ajudar o povo a romper com aquela religiosidade infrutífera
para que pudesse receber de Deus a verdadeira mensagem, totalmente desprovida
de religiosidade, o que faria toda diferença em suas vidas.

Conclusão: O deserto no
ministério de João Batista foi um lugar especial onde ele e o povo puderam
separar-se para ouvir a voz de Deus, de forma mais clara. Para receberem a
mensagem do Altíssimo, as pessoas tiveram de deixar o conforto do lar,
demonstrando interesse de renunciar coisas importantes por algo de maior valor:
a Palavra de Deus. João Batista vestia-se de forma diferente dos
religiosos da época, passando sempre a mensagem de que a verdadeira
transformação procede de dentro para fora, e não o contrário, por meio de uma
verdadeira atitude de arrependimento.

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